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Eles estão voltando

Por José Zeferino Pedrozo

Quinta-feira, 22 de Março de 2018 às 11h35

Eles estão voltando

A agricultura, na acepção econômica da palavra, é uma atividade que exige especialização e muito conhecimento científico. O Brasil ingressou no Século XXI com uma agricultura moderna, eficiente e sustentável. O setor primário da economia verde-amarela tornou-se a locomotiva do desenvolvimento econômico e, graças a ela, a balança comercial tem se mantido superavitária.

A universidade, a agroindústria e, em especial, o Sistema S investiram fortemente na qualificação profissional dos produtores rurais nas últimas décadas. A família rural foi alvo de muitas ações. A propriedade rural passou a ser tratada como uma empresa orientada por visão empreendedora e gestão profissional. Programas de alta performance do Senar, Sebrae, Sescoop, Secretaria Estadual da Agricultura via Epagri e Ministérios da Agricultura e da Educação levam ao campo os melhores instrutores e as melhores técnicas, fazendo das lavouras, pradarias, estábulos, aviários, criatórios de suínos a sala de aula para transmissão e aplicação do conhecimento em um dos mais bem-sucedidos sistemas de ensino-aprendizagem.

Nos últimos anos, os treinamentos de curta duração deram lugar a cursos técnicos, tecnólogos e superiores de excelente qualidade, ministrados de forma híbrida, com aulas presenciais e à distância mediante o emprego combinado de tecnologias pedagógicas e comunicacionais.

Um dos efeitos mais notáveis desse grande esforço de qualificação do campo é o retorno dos jovens ao meio rural. Eles saíram de casa em busca de formação profissional e/ou emprego nas ondas do êxodo rural que ameaçavam esvaziar os campos. Por que estão voltando? Porque novas oportunidades surgem no universo rural. De um lado, grandes cadeias produtivas – apesar das oscilações do comportamento do mercado – mostram-se capazes de gerar receitas de forma relativamente estável e promissora, financiando o bem-estar das famílias rurais. É notório que a avicultura e a suinocultura industrial, a bovinocultura de leite e corte, grãos, frutas, flores etc. injetam muita riqueza nas respectivas regiões.

De outro lado, as oportunidades surgem em maior profusão no campo. Novas agroindústrias de pequeno, médio e grande portes, empreendimentos de ampliação da base produtiva, oferta de formação profissional direcionados à pecuária e à agrossilvicultura – tudo converge para valorizar quem produz e quem deseja trabalhar no vasto arco da agricultura e do agronegócio.

Investimentos sustentados por capitais financeiros nacionais (e muitas vezes das próprias microrregiões) e oferta de trabalho num ambiente de consistente retorno econômico – essas são as condições que estão emoldurando o quadro no campo. Renda é tudo. Onde há possibilidade de renda continuada, capaz de sustentar qualidade de vida, haverá agente econômico motivado.

Entre tantas outras, a percepção de que os jovens estão retornando evidencia-se em duas ações de enorme repercussão do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural: o AteG programa de assistências técnica e gerencial e o curso de formação de técnicos em agronegócio. A maior parte dos candidatos é formada por filhos de produtores rurais e já conta com curso superior. A totalidade deles atua diretamente no campo. Eles estão voltando. E isso é bom para a economia e para o País.

 

José Zeferino Pedrozo é Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc)  do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

 

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