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Trigo sem arista é oportunidade para silagem do gado de corte

Por Éderson Luis Henz

Sexta-feira, 5 de Maio de 2017 às 11h07

Trigo sem arista é oportunidade para silagem do gado de corte

Durante o inverno, áreas extensas anteriormente ocupadas por soja e milho acabam ficando ociosas. Assim, a ocupação dessas áreas com cereais de inverno com vista à produção de alimentos conservados possibilita o uso racional do solo, produzindo um volumoso com boa qualidade, além de reduzir a concorrência com áreas de verão para produção de silagem e pré-secado. Outro fator é a instabilidade climática no inverno que pode causar danos na produção de milho safrinha tornado o trigo uma opção segura. Os frequentes aumentos nos preços de grãos de cereais utilizados na alimentação dos animais domésticos têm despertado interesses pelo aproveitamento de alimentos conhecidos como “não convencionais”. Neste contexto, uma cultivar de trigo surgiu para suprir esta demanda de alimento conservado em meses com incidência de baixas temperaturas, contribuindo como ótima fonte de proteína e energia, associado a alta digestibilidade, convertendo em carne. Trata-se de um material de ciclo médio com alta produção de biomassa (25 a 30 T/ha de MV), o que para cereais de inverno é uma excelente produção, contemplado de um bom pacote fitossanitário, apresentando boa sanidade aérea, além de boa resistência ao acamamento, sobretudo facilitando seu manejo atribuído ao bom nível de tolerância às principais doenças. Por se tratar de um trigo mútico (sem a presença de arista), não fere o trato digestivo do animal quando comparado a um trigo comum, proporcionando uma ótima alternativa na dieta de gado de corte.

O valor nutricional ou qualidade de uma planta forrageira pode ser considerado como a associação de seu valor nutritivo (composição química, digestibilidade), com o consumo da forragem pelos animais e a eficiência de utilização dos nutrientes. Os valores nutricionais da cultivar, tanto em proteína e energia contidos na silagem e pré-secado da mesma, obtém índices satisfatórios para um bom funcionamento fisiológico do rúmen, bem como para síntese proteica de tecidos e produtos metabolizados, contribuindo em ótima fonte de energia para os ruminantes, oriunda de carboidratos estruturais (celulose, hemicelulose e pectina) e não estruturais (os açucares e polissacarídeos amiláceos) contidos na cultura. O crescimento de bactérias ruminais fermentadoras de carboidratos não fibrosos utilizam amido, pectina e açúcares e crescem mais rápido do que o pool de bactérias fermentadoras de carboidratos fibrosos, visto que podem utilizar amônia ou aminoácidos como fonte nitrogenada. Portanto, forragens que estimulam o crescimento do pool de bactérias ruminais fermentadoras de carboidratos não fibrosos como, por exemplo, o da cultivar testada, incrementam a produção de proteína microbiana e de ácidos graxos voláteis, favorecendo a resposta do ruminante em maior quantidade de carne. No que diz respeito a custos de produção, inclusive quando comparado ao milho, tradicional matéria prima para a produção silagem, a cultivar tem demonstrado ser competitiva. Ela não é destinada ao pastejo, tampouco ao duplo propósito. Seu direcionamento técnico - comercial é exclusivo para pré-secado e silagem. A cultivar está inserida dentro do segmento comercial de novos negócios de uma empresa do Rio Grande do Sul, em um projeto pioneiro e de diferenciação de produto e qualidade para a lavoura de inverno. Como o próprio nome da cultivar sugere, estão em fase de desenvolvimento e teste os sucessores da variedade.

Composição químico-bromatológica da silagem e pré-secado da variedade

        

 

Parâmetros

Silagem

Pré-secado

Matéria natural Kg/ha-1

28979

30023

(% MS)

37

29

Matéria seca Kg/ha-1

10869

8858

Proteína bruta (% MS)

8,22

16

Proteína Solúvel (% PB)

63

75

FDN (% MS)

49

49

FDA (% MS)

30,80

29

TTNDFD (%FDN)

34

49,9

Lignina (% MS)

3,74

3,74

Amido (%MS)

18

0

CNF (%MS)

32,5

32,5

NDT (%MS)

53,03

64

ELI (Mcal/kg MS)

1,35

1,51

ELg (Mcal/kg MS)

 

0,383

0,940

ELm (Mcal/kg MS)

 

0,93

1,53

 

* Éderson Luis Henz é Zootecnista da Biotrigo Genética e Mestre em Ciência Animal

 

 

 

 

 

 

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